quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje não é uma noite inspiradora. Não sei por que, mas tenho a cabeça meio vazia de ideias hoje. Congeladas pelo frio, talvez. Mas precisava escrever...(...)... Tem vezes que precisamos falar tanta coisa, porém, parece que as palavras não encontram a concordância exata. Senti isso ao me despedir dos meus colegas de trabalho. Havia tanto a ser dito, mas foi tão cortante o momento de ir embora, que deixei para trás vários sentimentos. Queria contar o quanto aprendi nestes quase dois anos em Carazinho. O quão importante esta experiência foi para a minha formação, pois me formei jornalista ali, e não na faculdade. Queria contar o quanto aprendi sobre a vida, sobre seres humanos, sobre limitações físicas, emocionais, intelectuais. Fui até o meu limite, fui até o momento em que eu sabia que estava acrescentando. Conheci pessoas, milhares de histórias, e contei a minha história também. Escrevi meus versos nessas ruas, joguei-os ao vento, sem a pretensão de que alguém fosse se identificar com eles. Sentirei muita falta de tudo o que construí, amizades, descobertas, reportagens, idas ao interior – a melhor parte – até da solidão. Mas preencherei estes espaços com outras coisas a partir de agora. Quero ter o direito de não saber o que fazer da vida, pelo menos por enquanto. Quero sair por aí, correndo, sentindo o vento no rosto. Quero assistir TV com outras pessoas – nossa como isso faz falta. Assistir TV e rir sozinha dos seriados é a crônica da tristeza. Quero realizar sonhos, tirar fotos, ler. E agora eu tenho tempo pra isso.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prazo de validade

Rodeada diariamente por tantas notícias, palavras e informações por vezes banais, chega a ser quase impossível chegar em casa de um dia massante de trabalho e me dedicar a escrever aquilo que eu realmente penso e quero para preencher a folha em branco. Os planos para esta noite eram manter-me na posição horizontal, aproveitando um breve momento sem trabalho extra para fazer ou uma pia cheia de louças para lavar, contentando meus neurônios com qualquer coisa idiota na TV. Mas, me irritei com essa novela das 9, dei um duplo twist carpado da cama, liguei uma música e resolvi despertar para a vida. Desisti também do meu sagrado repouso pela insistência dos condôminos da Vila do Chaves que felizes e didavosos gargalhavam no pátio. Vila esta que em breve perderá eu e meu barril.
Assim como tudo na vida, a minha permanência na Vila do Chaves chegou ao seu prazo de validade. Na verdade, todas as pessoas têm um prazo de validade em nossas vidas, se você observar bem, tem um cantinho entre a segunda covinha do sorriso e a primeira ruga no canto do olho que está escrito até quando. Pode parecer frio e egoísta pensar que nada pode ser eterno. Porém, esta é a vida, e da mesma forma que as pessoas chegam elas vão embora. E não sejamos hipócritas, quando alguém já não nos acrescenta em nada é comum perdermos o contato, deixarmos mais de canto. Como também, às vezes, perdemos contato com alguém que ainda tinha muito para contribuir com a nossa formação.
Digo tudo isto não por acaso, mas porque novamente um ciclo se encerra e outro se abre para mim. Percebi que já é comum escrever no blog sobre as minhas mudanças. Nunca vou esquecer do meu primeiro dia chuvoso carazinhense. E pelo que as previsões demonstram, meu último dia chuvoso carazinhense talvez não chegue a tempo. Bem que podia, para lavar de mim tudo aquilo que não quero carregar na mudança. Sim, partirei. E não vim aqui para pensar no que será de mim amanhã. Que se lasque o amanhã, já sonhei demais. 

terça-feira, 13 de março de 2012

A caçadora de pipas

Segunda-feira. Uma noite quente de um verão que anuncia seu final. Procuro dentro de casa pequenos detalhes para me ater, me ocupar. Olho pra minha estante cheia de livros, mil folhas amareladas que contam histórias de amizade eterna, amor incondicional, aventuras, guerras, vidas. Escolho alguns, apenas para passar os olhos, folhear, esperando as horas passarem até o sono chegar. Abro um, em especial, e vejo que nas ultimas páginas esqueci uma rosa, que hoje está apodrecida, fazendo as folhas mancharem. Rosa de uma época passada, de um passado distante. Viro o livro, analiso sua capa, a primeira folha, uma dedicatória apaixonada, uma data. Há aproximadamente cinco anos ganhei este livro, que conta uma história incrível de amizade, caráter, amor. Procuro frases, trechos, e encontro este, emocionante, escrito na última página.

‘- Por você, faria isso mil vezes! – me ouvi dizendo.
Virei, então, e saí correndo.
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça voo.
Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia.
Saí correndo. Um adulto correndo em meio a um enxame de crianças que gritavam. Mas nem me importei. Saí correndo, com o vento batendo no rosto e um sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios.
Saí correndo.’

Que ironia. Agora, toca no rádio uma canção antiga, que antes não fazia sentido algum, mas agora consegue dizer tudo... ‘Vai ter medo de que um dia ela vá mudar...’
Pra finalizar, ando meio sem inspiração, mas como me disse uma pessoa esses dias, nossas perspectivas somos nós mesmos que criamos. Vou tentar mudar, apensar de que, desde que eu tinha uns 15 anos, sei que a essência sempre vai permanecer. Vou assim, rasgando as páginas dos meus livros favoritos, dobrando-as em barquinhos, que me levem a algum lugar bacana... Vou sair correndo, como Amir, me agarrar no sorriso minúsculo, que mesmo que não represente nada, é apenas o primeiro, de vários flocos que derreterão quando a primavera chegar. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Filtro Solar

Se eu pudesse dar uma dica sobre o futuro seria: pense mais em você mesmo. Os benefícios a longo prazo da autocrítica são provados pela ciência. Já o resto dos meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Aproveite bem o máximo do tempo na companhia de outras pessoas, as faça sorrir, divida com elas o melhor pedaço de si. Ame com toda a força do mundo. Ou então, esquece... Você nunca vai entender mesmo que a vida é soma e não divisão até o dia em que se der conta de que todos foram embora no fim da festa e sobrou apenas você de sapatos na mão.
Tenha um cachorro. Ele é o ser mais fiel que você vai ter do seu lado. Coloque os pés na terra de vez em quando. Um dia vai sentir que está dando choque e precisa descarregar. Mantenha contato com a natureza. Não se preocupe com o que os outros vão pensar. Ou então, preocupe-se, mas saiba que assim muitas experiências bacanas serão deixadas para trás.
Beba.
Nunca se arrependa. Seja fã de uma banda de rock antes que eles morram e fiquem apenas nos seus LPs. Vá a um show deles e volte para casa sem voz, de preferência. Veja seu time ser campeão do mundo na casa do inimigo, não há euforia maior.
Grite.
Faça uma caridade. E não precisa ser uma doação material, pois abraçar alguém que se sente sozinho também é caridade. Tenha personalidade. E não precisa ser excêntrico, basta não ter vergonha de ser quem você é, independente de qualquer coisa.
Exercite-se.
Antes do que se espera você vai perceber que se enquadra em vários grupos de risco. Permita seu sangue circular.
Talvez você encontre o amor da sua vida no primeiro beijo, talvez não.
Talvez todas as suas certezas se tornem ruínas, talvez não.
Talvez você descubra o segredo da felicidade, se tiver sorte, talvez não.
Talvez você escolha uma profissão que lhe dê prazer, talvez não.
Perdoe.
Acredite sempre nas mudanças, e saiba que a capacidade de sonhar foi criada para que você use e abuse de sua criatividade. Não tema. Também não tenha pressa. É fundamental aproveitar o dia, sorvendo cada segundo que faz o ponteiro se mover. Nunca nos sentiremos satisfeitos com o que temos agora, mas tente, se esforce para agradecer por ESTE momento da sua vida. Às vezes passamos a existência toda sonhando com o amanhã, mas quando ele chega, ignoramo-lo, pois continuamos pensando no futuro. Aprenda a olhar para os dois lados quando atravessar no tempo.
Viaje
Conheça lugares, pessoas e sabores novos. Mas jamais, jamais esqueça daqueles poucos e bons. É para eles que você vai correr quando se sentir solitário.
More uma vez em Frederico Westphalen, mas vá embora antes de amolecer.
More uma vez em Carazinho, mas se mande antes de endurecer.
Tenha um hobby. Se distraia, pois quando chegar aos quarenta terá aparência de oitenta e cinco. Aceite que o preço do Kinder Ovo subiu, que os jovens estão desvirtuados e os desenhos animados sem graça. Aceite também que você envelheceu e pode fantasiar que, quando você era jovem, o Kinder Ovo custava R$ 1,00, os jovens mostravam a cara nas ruas lutando por seus ideais e que a Caverna do Dragão era o melhor desenho do mundo.
Mas, no filtro solar, acredite!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Hoje acordei cansada, com um rosto sem expressão, sem inspiração, sem vontade de trabalhar. O barulho do teclado confunde minha cabeça e o calor da redação me faz ficar sem ar. Às vezes tenho vontades de uma vida nova, deixando tudo para trás, noutras, gostaria de tentar de novo, aquilo que falhou. Queria que um porre bem forte curasse a dor. Queria o exílio pra mim e pra você. Tipo Caetano e Gil. Escrevendo canções proibidas. Queria um banho de chuva, pra tirar a roupa molhada depois. E um fim de domingo com bolo, faustão e um sono pesado. Mas não tenho, e é a vida, o resto é história. Sigo sentada no jardim inglês, pois já me transformei em pó e você não está tão perto que eu possa tocar. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O que desejo para você...

Eu sei que já passou a data, mas tava sem tempo de passar a limpo este texto que escrevi a próprio punho esses dias. Mas agora vai: Dizem por aí que é Natal, e por isso venho aqui mostrar o que desejo para as pessoas que amo, prezo e gosto: Somente felicidade. Vida sem felicidade não tem cor, não tem brilho e nem sabor agridoce. É possível ser pobre e feliz, doente e feliz, confuso e feliz. Mas, sozinho e feliz - não!
Não venham me dizer que é preciso encontrar a felicidade em nós mesmos, é tudo mentira. Acho que já escrevi algo assim aqui no blog. Mas, hoje, tenho a plena convicção de que não se pode ser feliz sozinho. Não desejarei que você ganhe na Mega da Virada, nem que você nunca precise de remédios, nem que tenha tamanha paz que consiga pensar o tempo todo em apenas uma folha de ofício em branco. Isso é utópico demais.
Quero apenas que vocês sejam felizes, e para tanto não se faz necessário nenhuma destas coisas que citei logo acima. Já fui feliz um dia e vou explicar como é: Como eu disse, é impossível ser feliz sozinho. É preciso ter alguém que te faça dar risadas, acordando a casa toda. É necessário ter a companhia de um sujeito que eleve a sua auto-estima, que não se importe em mentir para te animar um pouquinho. É fundamental ter uma pessoa que lhe sirva de porto seguro, pois um dia você vai precisar de um colo e de ouvidos ou, simplesmente, de olhos. É imprescindível saber que, no peito desta pessoa há uma 'partileira' só para o seu nome repousar.
Você já conheceu alguém assim? Seja sincero. Um irmão, amor, pai, amigo, mãe? Eu já e me sentia plena, completa, fechava os olhos e dizia que podia morrer neste segundo, pois morreria feliz. Então, desejo tudo isso para você. Nada além. É o que eu posso fazer nesta data, nesta época, pensar em algo que realmente valha a pena desejar, de coração aberto. Você vai entender o dia que sentir...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fazia calor, e ele sorria

Sábado, como há muito tempo não fazia, coloquei meus óculos grossos, sentei no sofá, e abri o jornal. Eis que entre matérias como o alto custo da produção agrícola no país e a iminência de uma crise econômica mundial, encontro um texto do jornalista David Coimbra. Aposto que não foi por acaso que meus olhos passaram pelo texto e se interessaram em lê-lo. Segue abaixo a crônica:

Fazia calor, e ele sorria


Era uma dessas tardes de canícula que faziam pensar sobre os milênios que o ser humano atravessou sem ar-condicionado. Como conseguimos? Como chegamos até aqui?
Havia deixado o carro num estacionamento, já ia alcançando a calçada, quando o vi. Estava dentro da guarita da portaria, uma dessas casinholas onde mal cabe uma pessoa. Era um homem de pele negra luzidia, de certa idade, imaginei que tivesse filhos e netos. Suava às catadupas dentro do uniforme. Só de vê-lo fiquei com calor. Estiquei o pescoço e brinquei, meio em solidariedade, meio para lhe aliviar o sofrimento:
– Vida dura...
Ele abriu um sorriso.
– Nem tanto – respondeu com animação surpreendente para aquele dia pastoso. – Pior seria se não tivesse trabalho. Além disso, economizo com sauna!
E atirou de dentro do seu esconderijo uma risada de satisfação com a própria piada.
Despedi-me dele sentindo-me bem. Ali estava um homem que sabia viver. Fosse outro, passaria se queixando do emprego inferior à sua dignidade, do salário inferior ao seu merecimento, do chefe que o colocara ali por perseguição, do governo que não o amparava por incompetência.
Na verdade, pouco interessa a condição em que alguém se encontra. Se o ambiente é desta ou daquela forma. É difícil encontrar duas pessoas que, estando na mesma situação, vivam no mesmo mundo. O interior é que vai fazer com que o exterior seja positivo ou negativo.
Você pode constatar isso todos os dias. Em tudo e em todos há coisas boas e ruins. Você é quem escolhe o que vai pegar para você. E a sua escolha depende do que você é. Pessoas boas enxergam o lado bom das outras pessoas e alegram-se com isso e tornam a convivência leve. Mas há quem só veja os defeitos dos outros e assim os defeitos se aprofundam, tornam-se mais graves e mais feios, e a convivência fica pedregosa. Ou seja: a responsabilidade não é de quem é julgado, é de quem julga. As coisas não são bonitas à sua volta? Olhe para dentro. Talvez lá é que elas sejam feias.

Como o brasileiro vê o Brasil e os governantes do Brasil?
Parece que houve gente enriquecendo com as privatizações do governo tucano, leio isso na Carta Capital. Parece que nunca houve tanta corrupção como a que grassa no governo petista, leio isso na Veja. A impressão é de que o Brasil afunda num mar de lama, para repetir a expressão de Vargas.
Mas não é bem assim. O Brasil melhorou de Itamar Franco para cá. São 18 anos de estabilidade econômica e política, o que resta provado até pela quantidade e pela profundidade das denúncias de corrupção, que antes havia, mas não aparecia.
Então, por que o brasileiro não se comporta mais como aquele homem cordial e fagueiro de tempos muito piores, como, por exemplo, os tempos do mar de lama de Vargas? Por que o brasileiro não percebe que o Brasil evoluiu? Será que o brasileiro “piorou”? Ou será que há mais homens como o vigia do estacionamento, suando em silêncio, mas contentes com a vida?

* Texto publicado na Zero Hora, 16/12/2011

Me surpreendi com a leitura, eu que reclamo tanto da vida, das situações impostas, do calor, do frio, e o sujeito me diz que pior seria se não tivesse emprego. Creio que este seja o grande defeito da humanidade: reclamar. Reclama-se no twitter, reclama-se no facebook. Nunca fui uma pessoa otimista, desde a escola, sempre esperava o pior resultado nas provas, pois se fosse mal realmente, não me surpreenderia. E assim é com as coisas da vida. Senti como se tomasse um murro no meio da cara, como se David Coimbra estivesse escrevendo para mim e dizendo: Acorda Priscila, você não vai sair para brincar? Venha brindar um novo dia. O sol nasceu, o céu está azul. É tudo lindo como você. Pois é, não quero dizer que acordei achando tudo perfeito, mas, após este texto, garanto que estou refletindo melhor sobre meus próprios conceitos.