Hoje acordei cansada, com um rosto sem expressão, sem inspiração, sem vontade de trabalhar. O barulho do teclado confunde minha cabeça e o calor da redação me faz ficar sem ar. Às vezes tenho vontades de uma vida nova, deixando tudo para trás, noutras, gostaria de tentar de novo, aquilo que falhou. Queria que um porre bem forte curasse a dor. Queria o exílio pra mim e pra você. Tipo Caetano e Gil. Escrevendo canções proibidas. Queria um banho de chuva, pra tirar a roupa molhada depois. E um fim de domingo com bolo, faustão e um sono pesado. Mas não tenho, e é a vida, o resto é história. Sigo sentada no jardim inglês, pois já me transformei em pó e você não está tão perto que eu possa tocar.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O que desejo para você...
Eu sei que já passou a data, mas tava sem tempo de passar a limpo este texto que escrevi a próprio punho esses dias. Mas agora vai: Dizem por aí que é Natal, e por isso venho aqui mostrar o que desejo para as pessoas que amo, prezo e gosto: Somente felicidade. Vida sem felicidade não tem cor, não tem brilho e nem sabor agridoce. É possível ser pobre e feliz, doente e feliz, confuso e feliz. Mas, sozinho e feliz - não!
Não venham me dizer que é preciso encontrar a felicidade em nós mesmos, é tudo mentira. Acho que já escrevi algo assim aqui no blog. Mas, hoje, tenho a plena convicção de que não se pode ser feliz sozinho. Não desejarei que você ganhe na Mega da Virada, nem que você nunca precise de remédios, nem que tenha tamanha paz que consiga pensar o tempo todo em apenas uma folha de ofício em branco. Isso é utópico demais.
Quero apenas que vocês sejam felizes, e para tanto não se faz necessário nenhuma destas coisas que citei logo acima. Já fui feliz um dia e vou explicar como é: Como eu disse, é impossível ser feliz sozinho. É preciso ter alguém que te faça dar risadas, acordando a casa toda. É necessário ter a companhia de um sujeito que eleve a sua auto-estima, que não se importe em mentir para te animar um pouquinho. É fundamental ter uma pessoa que lhe sirva de porto seguro, pois um dia você vai precisar de um colo e de ouvidos ou, simplesmente, de olhos. É imprescindível saber que, no peito desta pessoa há uma 'partileira' só para o seu nome repousar.
Você já conheceu alguém assim? Seja sincero. Um irmão, amor, pai, amigo, mãe? Eu já e me sentia plena, completa, fechava os olhos e dizia que podia morrer neste segundo, pois morreria feliz. Então, desejo tudo isso para você. Nada além. É o que eu posso fazer nesta data, nesta época, pensar em algo que realmente valha a pena desejar, de coração aberto. Você vai entender o dia que sentir...
Não venham me dizer que é preciso encontrar a felicidade em nós mesmos, é tudo mentira. Acho que já escrevi algo assim aqui no blog. Mas, hoje, tenho a plena convicção de que não se pode ser feliz sozinho. Não desejarei que você ganhe na Mega da Virada, nem que você nunca precise de remédios, nem que tenha tamanha paz que consiga pensar o tempo todo em apenas uma folha de ofício em branco. Isso é utópico demais.
Quero apenas que vocês sejam felizes, e para tanto não se faz necessário nenhuma destas coisas que citei logo acima. Já fui feliz um dia e vou explicar como é: Como eu disse, é impossível ser feliz sozinho. É preciso ter alguém que te faça dar risadas, acordando a casa toda. É necessário ter a companhia de um sujeito que eleve a sua auto-estima, que não se importe em mentir para te animar um pouquinho. É fundamental ter uma pessoa que lhe sirva de porto seguro, pois um dia você vai precisar de um colo e de ouvidos ou, simplesmente, de olhos. É imprescindível saber que, no peito desta pessoa há uma 'partileira' só para o seu nome repousar.
Você já conheceu alguém assim? Seja sincero. Um irmão, amor, pai, amigo, mãe? Eu já e me sentia plena, completa, fechava os olhos e dizia que podia morrer neste segundo, pois morreria feliz. Então, desejo tudo isso para você. Nada além. É o que eu posso fazer nesta data, nesta época, pensar em algo que realmente valha a pena desejar, de coração aberto. Você vai entender o dia que sentir...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Fazia calor, e ele sorria
Sábado, como há muito tempo não fazia, coloquei meus óculos grossos, sentei no sofá, e abri o jornal. Eis que entre matérias como o alto custo da produção agrícola no país e a iminência de uma crise econômica mundial, encontro um texto do jornalista David Coimbra. Aposto que não foi por acaso que meus olhos passaram pelo texto e se interessaram em lê-lo. Segue abaixo a crônica:
Fazia calor, e ele sorria
Fazia calor, e ele sorria
Era uma dessas tardes de canícula que
faziam pensar sobre os milênios que o ser humano atravessou sem
ar-condicionado. Como conseguimos? Como chegamos até aqui?
Havia deixado o carro num estacionamento, já ia
alcançando a calçada, quando o vi. Estava dentro da guarita da portaria, uma
dessas casinholas onde mal cabe uma pessoa. Era um homem de pele negra luzidia,
de certa idade, imaginei que tivesse filhos e netos. Suava às catadupas dentro
do uniforme. Só de vê-lo fiquei com calor. Estiquei o pescoço e brinquei, meio
em solidariedade, meio para lhe aliviar o sofrimento:
– Vida dura...
Ele abriu um sorriso.
– Nem tanto – respondeu com animação
surpreendente para aquele dia pastoso. – Pior seria se não tivesse trabalho.
Além disso, economizo com sauna!
E atirou de dentro do seu esconderijo uma risada
de satisfação com a própria piada.
Despedi-me dele sentindo-me bem. Ali estava um
homem que sabia viver. Fosse outro, passaria se queixando do emprego inferior à
sua dignidade, do salário inferior ao seu merecimento, do chefe que o colocara
ali por perseguição, do governo que não o amparava por incompetência.
Na verdade, pouco interessa a condição em que
alguém se encontra. Se o ambiente é desta ou daquela forma. É difícil encontrar
duas pessoas que, estando na mesma situação, vivam no mesmo mundo. O interior é
que vai fazer com que o exterior seja positivo ou negativo.
Você pode constatar isso todos os dias. Em tudo
e em todos há coisas boas e ruins. Você é quem escolhe o que vai pegar para
você. E a sua escolha depende do que você é. Pessoas boas enxergam o lado bom
das outras pessoas e alegram-se com isso e tornam a convivência leve. Mas há
quem só veja os defeitos dos outros e assim os defeitos se aprofundam,
tornam-se mais graves e mais feios, e a convivência fica pedregosa. Ou seja: a
responsabilidade não é de quem é julgado, é de quem julga. As coisas não são
bonitas à sua volta? Olhe para dentro. Talvez lá é que elas sejam feias.
Como o brasileiro vê o Brasil e os governantes
do Brasil?
Parece que houve gente enriquecendo com as
privatizações do governo tucano, leio isso na Carta Capital. Parece que nunca
houve tanta corrupção como a que grassa no governo petista, leio isso na Veja.
A impressão é de que o Brasil afunda num mar de lama, para repetir a expressão
de Vargas.
Mas não é bem assim. O Brasil melhorou de Itamar
Franco para cá. São 18 anos de estabilidade econômica e política, o que resta
provado até pela quantidade e pela profundidade das denúncias de corrupção, que
antes havia, mas não aparecia.
Então, por que o brasileiro não se comporta mais
como aquele homem cordial e fagueiro de tempos muito piores, como, por exemplo,
os tempos do mar de lama de Vargas? Por que o brasileiro não percebe que o
Brasil evoluiu? Será que o brasileiro “piorou”? Ou será que há mais homens como
o vigia do estacionamento, suando em silêncio, mas contentes com a vida?
* Texto publicado na Zero Hora, 16/12/2011
* Texto publicado na Zero Hora, 16/12/2011
Me surpreendi com a leitura, eu que reclamo tanto da vida, das situações impostas, do calor, do frio, e o sujeito me diz que pior seria se não tivesse emprego. Creio que este seja o grande defeito da humanidade: reclamar. Reclama-se no twitter, reclama-se no facebook. Nunca fui uma pessoa otimista, desde a escola, sempre esperava o pior resultado nas provas, pois se fosse mal realmente, não me surpreenderia. E assim é com as coisas da vida. Senti como se tomasse um murro no meio da cara, como se David Coimbra estivesse escrevendo para mim e dizendo: Acorda Priscila, você não vai sair para brincar? Venha brindar um novo dia. O
sol nasceu, o céu está azul. É tudo lindo como você. Pois é, não quero dizer que acordei achando tudo perfeito, mas, após este texto, garanto que estou refletindo melhor sobre meus próprios conceitos.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Irônico
Um homem velho fez 98 anos
Ganhou na loteria e morreu no dia seguinte
É uma mosca preta em seu Chardonnay
É o perdão no corredor da morte, dois minutos atrasado
Isso é irônico... não acha?
É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isso acontece
Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está OK e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando errado e tudo explode na sua cara
Um engarrafamento de trânsito quando você já está atrasado
Um sinal de 'proibido fumar' no seu intervalo para o cigarro
É como dez mil colheres quando tudo o que você precisa é de uma faca
É encontrar o homem dos seus sonhos
E então encontrar a linda esposa dele
E isso é irônico... você não acha?
Um pouco irônico demais... eu acho...
A vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
A vida tem um jeito engraçado de te ajudar
Ganhou na loteria e morreu no dia seguinte
É uma mosca preta em seu Chardonnay
É o perdão no corredor da morte, dois minutos atrasado
Isso é irônico... não acha?
É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isso acontece
Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está OK e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando errado e tudo explode na sua cara
Um engarrafamento de trânsito quando você já está atrasado
Um sinal de 'proibido fumar' no seu intervalo para o cigarro
É como dez mil colheres quando tudo o que você precisa é de uma faca
É encontrar o homem dos seus sonhos
E então encontrar a linda esposa dele
E isso é irônico... você não acha?
Um pouco irônico demais... eu acho...
A vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
A vida tem um jeito engraçado de te ajudar
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.
sábado, 6 de agosto de 2011
Um calmante, por favor!
Já faz um ano que ando pelas ruas carazinhenses abaixo de chuva. Lembro como se fosse hoje o dia que tive que enfrentar as ruas de pedras irregulares nos fins de noite, onde era só eu e o vento. Mas, prometi para mim mesma que não passaria de um ano, e eis que chegou a hora de mudar novamente. Para quem não entende, geminianos se cansam rápido demais de tudo. É muito penoso conviver com um de nós: as pessoas precisam nos surpreender a cada dia, pois se não, fechamos o livro, damos as costas e olhamos o horizonte. Me cansa olhar para estas paredes todos os dias, e não vejo nenhum balde de tinta vermelha para que eu possa pintá-las sem precisar trocar de lugar. Eu sei que sou difícil, mas sou exigente comigo, com a vida e com os outros. E chegou a hora de querer mais, de oferecer novos ângulos às retinas. Prometi para mim mesma durante a faculdade que quando saísse dali nunca mais faria alguma atividade que me deixasse tão apática e amuada como as vésperas de fins de semestres. Mas, a vida sorriu para mim, zombeteiramente. Não foi isso que quis, definitivamente. E sei que ninguém me entende. Para os outros estou em um momento cômodo, eles não conseguem ver que eu preciso de um calmante, urgente. Se o problema sou eu, vou descobrir assim que arrumar um novo emprego e novos ares e as coisas permanecerem exatamente iguais. Meu estado emocional pede socorro e fui capaz de encontrar auxílio em uma cartelinha prateada com vários pontinhos coloridos. Nem passar na carteira de motorista eu consigo. – Eu sei que você sabe dirigir, mas você ficou muito nervosa. Se não fosse por isso você passava. – Mas moço, eu não sei mais o que fazer! Eu preciso de paz. Preciso ter outras perspectivas para os meus dias além de chegar em casa e apenas morrer na cama, vendo a louça e as roupas sujas acumulando. Eu quero um hobby! Não como o da Carla Perez, mas algo que me faça existir: um time de bolita, aulas de gaita de boca, uma simples corrida no fim de tarde, fazer meus artesanatos, ler. Nossa, há meses Fernando Moraes permanece ao lado da minha cama sem receber uma atenção. O mais importante é ir em busca e nunca desistir daquilo que quero alcançar, pois não quero ser uma pessoa frustrada e chegar na velhice pensando na porção de coisas que não fiz por medo de arriscar: a minha viagem de trem, as milhares de fotos que quero tirar, os novos amigos que quero conquistar, o retorno aos braços de quem me acalma, as línguas que quero falar, os cachorros que quero ter, os livros que quero comprar, os discos que quero ouvir, as cervejas que quero beber, as aulas de historia que quero ter, a Rural que quero dirigir, o por do sol que quero assistir. E é por isso que hoje abro a temporada de caça, a melhores perspectivas, qualidade de vida e paz. Nem que eu comece reformando aquele balcão com jornais que há meses tenho vontade...
quarta-feira, 20 de julho de 2011
No último mês perdi uma pessoa mitológica da minha infância. E não sei se foi eu que me acostumei com a morte, ou se ainda não consigo acreditar. Não sou uma pessoa de pouca fé. Não. Tenho minhas crenças e me agarro nelas. Não gosto de religiões. Porém, não sei o que pensar sobre a morte, não tenho certeza de nada, não possuo crenças a este respeito.
Há alguns anos senti a primeira perda doída, não que as outras não fossem, mas eram pessoas que pouco convivi e eu era apenas uma criança. Para mim aquilo foi o cair de um precipício, me vi sem saber o que pensar, na loucura de não entender o que acontece depois. Passei a temer muito este fim, e rezei para não morrer tão nova e para não sentir novamente a dor de uma despedida.
Quando fecho os olhos e penso na nona, lembro-me de muitas coisas. Primeiro era a viagem até Carazinho, que para mim, na insignificância de minhas curtas pernas, era como dar a volta ao mundo. Era chegar e ter o rosto esmagado por suas bochechas e mãos. Na despensa fechada pela cortina um balde de leite cheio de varinhas salgadas que só ela soube fazer. O relógio de corda que batia, as parreiras, o poço, a caçada às borboletas com sacos de batatas, a voz do castelinho de manhã cedo, a casinha de bonecas que ela me ajudou a fazer, o beliche.
A única certeza que tenho é que continuo sem saber no que acreditar; que o fim, se é que ele existe, permanece como um temor e incógnita.
Há alguns anos senti a primeira perda doída, não que as outras não fossem, mas eram pessoas que pouco convivi e eu era apenas uma criança. Para mim aquilo foi o cair de um precipício, me vi sem saber o que pensar, na loucura de não entender o que acontece depois. Passei a temer muito este fim, e rezei para não morrer tão nova e para não sentir novamente a dor de uma despedida.
Quando fecho os olhos e penso na nona, lembro-me de muitas coisas. Primeiro era a viagem até Carazinho, que para mim, na insignificância de minhas curtas pernas, era como dar a volta ao mundo. Era chegar e ter o rosto esmagado por suas bochechas e mãos. Na despensa fechada pela cortina um balde de leite cheio de varinhas salgadas que só ela soube fazer. O relógio de corda que batia, as parreiras, o poço, a caçada às borboletas com sacos de batatas, a voz do castelinho de manhã cedo, a casinha de bonecas que ela me ajudou a fazer, o beliche.
A única certeza que tenho é que continuo sem saber no que acreditar; que o fim, se é que ele existe, permanece como um temor e incógnita.
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