terça-feira, 19 de julho de 2011

Quanta ironia

Na última semana fiz uma pessoa chorar enquanto eu tentava compreender o que é felicidade. Para que vocês entendam, nós comentávamos sobre uma pesquisa realizada aqui em Carazinho que apontou que 96% das pessoas entrevistadas se sentem muito felizes. Atualmente afirmo para mim que estou bastante infeliz. Para os outros estou tentando sempre assegurar o contrário, ou pelo menos abrandar este prognóstico, pois me disseram que eu tenho que ser feliz pelo simples fato de estar viva, de poder sentir o calor do sol, de saber que existem pessoas que gostam um monte de mim e se preocupam comigo, enfim.
Não estou de acordo com o que vivo. Mas, por vezes já refleti analisando que o que vivo hoje é grande parte do todo que um dia eu sonhei com toda a minha força, que fez parte das minhas orações. Ou seja, estar formada em algo que por mais estafante, preenche a pessoa que sou, ter um canto só meu, um fogão para me distrair, ninguém para disputar o controle remoto (até porque minha Tv não possui estas modernidades), uma independência financeira – a melhor parte. E nestas vezes chego a quase me contentar com a situação.
Mas era justamente isso que eu comentava com a pessoa citada acima. Ela surgiu no ambiente afirmando que mesmo que as pessoas não sejam extremamente felizes, elas, quando questionadas, sempre dizem que sim, afinal, possuem saúde, família, estas coisas. E me peguei pensando que se viessem me perguntar se sou feliz – é, responderia que sim.
Foi então que expliquei que, na minha opinião, não existe uma felicidade plena, completa, em sua totalidade. Não. Peço desculpas àqueles que um dia acreditaram nisso. Talvez ela deveria ser uma destas pessoas que creem na plenitude e por isso chorou. Falei que a vida é uma intensa busca pela felicidade. E não é? Vejo por mim, que tenho tudo o que um dia, na lonjura da minha adolescência, quis incessantemente. Mas que hoje deseja muito mais. E isso também não vai findar quando eu as conquistar. Até porque – e eu falei isso para ela – se um dia eu conquistar tudo o que desejei e perceber que não existe mais nada para ir em busca, para lutar, para chorar de desespero, aí a vida acaba por aí. Não há mais razão para seguir adiante. Foi neste momento que ela tapou o rosto com a mão, enrubescendo-se, baixou a cabeça e se foi, engolindo com dificuldade.
No entanto, esta conversa serviu para que eu convencesse a mim mesma de que se hoje me sinto assim, amanhã quando tiver nas mãos o que quero hoje, perdurarei sentindo esta falta aqui dentro. As pessoas mudam com o tempo, e o que agora é essencial, amanhã será apenas um detalhe, como a minha ânsia adolescente em rumar sozinha nas ruas, sem precisar anotar o sobrenome dos que me relaciono. Hoje isso é um detalhe, pois meus anseios são bem mais complexos. E, somente quero me sentir plena o dia que meus olhos cor de terra se fecharem para nunca mais. Mas, se eu descobrir que depois disto, realmente existe algo mais, então seguirei querendo sempre mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Abrindo o armário

Eu achei que ficaria um bom tempo sem escrever por aqui, até aprender a não lamuriar, até saber colorir as gravuras do meu dia-a-dia. Ando em uma análise frequente, tentando ansiosamente me encaixar em determinados estereótipos, que na verdade não foram feitos para eu vesti-los. Sou inconstante e, por vezes, incompreendida. Consigo perceber de longe meus erros, mas evitá-los já é tarefa para um mágico.
Mas, talvez nem valha a pena citar aqui que estou abrindo meu armário - colocando as roupas no sol do inverno, para que o cheiro de velho vá embora com o vento, sacudindo um pouco da poeira, provando que os monstros escondidos ali são apenas coisas da minha cabeça – pois eu sei que logo, logo, chove de novo, molhando fronhas com água salgada.
Mas, eu só quero contar que estou bem mais contida com minhas fraquezas, tentando provar o melhor pedaço do bolo. Se a vida lhe der limões, faça a limonada, não é isso que você quer? É um exercício minucioso, onde um tropeço pode lhe arrancar a unha do dedinho do pé. Se todo mundo consegue dar um sorriso para a vida, porque eu não? Olha que às vezes até eu me surpreendo. E me espanto ainda mais com minha oscilante montanha russa ou roleta russa, que me deixa a mercê da sorte. É, sou inconstante. E se hoje estou abrindo o armário, amanhã ou depois com uma rajada de vento minhas portas podem se fechar. Assim são as pessoas comuns, ora estão felizes, ora tristes. ‘Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro’.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

terça-feira, 31 de maio de 2011

Felicidade é só questão de ser

É incrível como diariamente assuntos visitam a minha mente para que eu os desseque. Hoje, enquanto tomava banho, comecei uma análise de mim mesma, e não há momento mais propício para isso como a semana que antecede o aniversário da gente: o fim e início de um ciclo. Atualmente, muito mais do que antigamente, passei a aprender a encontrar alegria em pequeníssimas coisas, como tomar banho ouvindo música. Loucura. Mas já falei aqui, em outro post, sobre o poder que as músicas têm de mudar nosso humor, da mais inebriante tristeza até a confortadora paz.
Se alguém me perguntar qual a melhor coisa do jornalismo, vou responder que somente ele me ensinou a dar valor e observar a beleza nas pequenas coisas. Pra começar, os olhos da gente se transformam em lentes, e cada olhar já procura uma moldura para pregar-se à parede. As cores fortes, as opacas, uma poça, a rua, um sorriso. Tudo se transforma em papel fotográfico. Cada rosto na rua nos desperta uma curiosidade infinda em descobrir qual história extraordinária estaria por trás daquelas rugas, daquele olhar caído. Vivências já se materializam na folha branca do caderno velho e viram crônica. O aroma do café sempre terá seu valor. Terminar o dia, a semana, o mês, o ano. O fim é sempre confortador. Entregar a matéria, o especial, encerrar a edição, acabar a transcrição. Um sábado de folga com sol, família, amores e cachorro. A maionese do domingo, ah a maionese!
Confesso que há dias venho levantando um dossiê sobre o que me traz felicidade definitivamente. E mesmo que por vezes me afundo na minha solidão e descontentamento com tantas coisas, por outras, pequenos detalhes me tocam profundamente e puxam pelos cabelos a responsável pela felicidade: eu mesma. Tem vezes que não percebo no momento, que a felicidade é um vento a soprar, desfolhando as árvores com folhas cor de abóbora. Mas, quando sinto que apenas tomar banho ouvindo música é capaz de me fazer respirar fundo, fechar os olhos e sentir uma paz, mesmo que seja do tamanho do dedo mingo da gente. Nossa! Tenho uma vontade de me esganar, por às vezes acreditar de não tive a 5ª Série forte o suficiente para encontrar alegria em mim mesma, sozinha.
E, completando o 22º ciclo de invernos, só posso fechar os olhos, assoprar as velinhas e pedir que eu possa continuar sendo capaz de me sensibilizar com as coisas simples, de me encontrar em mim mesma, de apreciar a minha companhia e de viver sempre em busca de uma plenitude que, no fundo, eu sei que não existe, mas que viver não teria nenhum sentido se a gente não acreditasse. Por mais que a gente perceba que nunca chegará lá, que o impossível é mais um antigo vício, e que a angústia perdure para sempre...

‘Deve haver alguma coisa que ainda te emocione’.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

‘Olha Lopes’

Desde a data fatídica de 2 de junho do longínquo 1988, me sentia um ser muito estranho, sempre distante dos padrões impostos pela sociedade, tanto de beleza quanto de comportamento: digamos que sempre fui um pouco antissocial. Porém, isso começou a mudar assim que minha vida se cruzou com o jornalismo, muito que por acaso. Sinceramente, nunca foi meu grande sonho de infância ser jornalista, até porque sempre fui muito tímida. E, digamos que caí de gaiato nesta história mais pelo empurrão de quem queria muito me elogiar e não sabia como, então falava que eu escrevia bem. Ha-ha. Só porque eu era criança e escrevia palavrinhas difíceis para as crianças da minha idade minha família achava que eu tinha potencial para ser repórter um dia. Na verdade atribuo isso a ninguém além de minhas duas avós, professoras, e que inseriram um vocabulário um pouquinho mais rebuscado que os demais, aos almoços e reuniões familiares.
E assim, jornalismo passou a ser um ‘sonho’. E eu deixava ele lá nos sonhos, pois era mesmo impossível de ser realizado. Até que o Cesnors entrou na minha vida, com esse nome estranho mudou tudo de lugar, inclusive eu. Uma universidade pública, a 70 Km de casa, e com o curso de Jornalismo. Fudeu! Virei Bixo! Em um dos primeiros dias de aula, uma professora inicia uma conversa, pedindo para que cada um falasse de onde vinha e qual o objetivo com o curso. Pensei rápido, pois eu só sabia de certeza da onde eu tinha vindo: ‘da terra do Carijo da Canção Gaúcha, Tche! Ah, e meu objetivo com o Jornalismo é ser um dia a garota do tempo’. ‘É, geralmente para ser a moça do tempo eles exigem uma aparência’, foi a resposta da querida professora. Olha, não quero refletir sobre o que ela quis dizer com isso.
Ok! Estava inserida no habitat dos jornaleiros. Mas, como eu estava falando, sempre me senti estranha, até entrar neste mundo. Hoje, escrevo para iniciar uma seção de análise imaginária, não para mim, e sim para as pessoas que me cercam, pois preciso entendê-las. É questão de honra! E hoje, caros leitores, descobri que sou completamente normal; que tenho sim os sentimentos à flor da pele, mas consigo controlar ao menos os ruins e malévolos, ou deixá-los soltos, mas na minha cabeça; que levo uma vidinha infame, acordando toda manhã e dormindo à noite. Talvez a vida de vocês seja assim também, normalzinha. Ou, talvez vocês digam: ‘nossa, não sou normal, tenho tantos problemas’. Mas, meus amigos, vocês não conhecem pessoas anormais...
Ainda na faculdade, encontrei pessoas que sabiam menos ainda o que estavam fazendo ali, ao menos deve ser o que passava na cabeça de alguém que, em uma prova de gramática pergunta ao professor se a palavra ‘mesmas’ existe. Garota, este não é o seu lugar! Tinha também os lunáticos, de olhos arregalados, que vigiavam as palavras de todo mundo, e se um riso largo viesse do fundo da sala, eles olhavam com olhos de repressão, como se estivéssemos gargalhando deles. Em seguida comecei a perceber o quão normal eu era. Tranquilinha, ali no meu canto, sem grandes erupções de personalidade.
Talvez eu esteja rotulando os jornalistas, por acreditar que foi mergulhada neste contexto que encontrei a anormalidade do ser humano. Ou talvez, até a faculdade, eu era pequena demais, assim como as pessoas que me rodeavam, para eclodir um lado B latente. Das duas, uma.
Pulando a faculdade, hoje, inserida no cruel habitat da vida Real, com letras maiúsculas, sou jornalista atuante, uma vez que ser jornalista formada não vale muita coisa. Nunca vivi tão tranquila comigo mesma, porque a convivência diária com pessoas muito estranhas me fez perceber que sou uma água com açúcar.
Convido vocês a serem meus analistas, então, eu os chamarei de Lopes, para imitar a Mercedes:
Olha Lopes, minha vida é corrida, mas a rima perfeita é: fudida. O que eu tenho? Não, nada, eu sou normal. Vim aqui, Lopes, porque preciso entender o que acontece com as pessoas que eu convivo. E porque eu preciso entendê-los? Pô, porque eles estão acabando com a minha vidinha normal. Afetam-me diretamente, irradiando tudo de mais pior que há neles para mim. Preciso de um guarda-chuva, Lopes, algo que me proteja de tudo isso. Até a próxima seção...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eu quero ver o oco

De tanto não saber, já não sei nem como iniciar este post. É tão mais fácil poder tocar nos sentimentos, saber o que os provocou, torcê-los como uma roupa molhada, espremendo, vendo-os ir pelo ralo. O problema é justamente não saber, não decifrar. Já diria Zé Ramalho ‘ninguém tem o mapa da alma da mulher’. Tem algo rolando aqui dentro, é uma bola de gude, daquelas verdes, que faz barulho quando bate no oco que sou eu. É um não saber tão angustiante que não se sabe onde se agarrar, qual bula terá a solução. Como estava falando, não estou triste, não mais como andava nos últimos dias, já não choro mais e já me alimento normalmente. Também não estou estressada, não me preocupo com nada mais, ou melhor, me preocupo com algumas coisas. Mas não permito mais que estas coisas prejudiquem a minha saúde. Sinto um vazio, como uma folha em branco, como a TV que saiu do ar, como um carro que não quer pegar. Pô! Não sei explicar. Uma angústia que vem de repente, sem motivo aparente. Um nada.

*texto escrito há alguns dias

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Tormento

Desde pequena ouço do meu sábio avô a expressão ‘tormento’, que ele usa para nomear as netas de maneira carinhosa. Porém, o que me faz vir aqui, agora, ainda com a toalha enrolada à cabeça nos úmidos cabelos é o conceito antônimo a esse, usado pelo meu avô.
Existe um tipo de tormento que instiga todo mundo, ou pelo menos, assim eu acredito, pois se não for desta maneira que acontece, preciso ir a um analista imediatamente. Diariamente, passamos e sentimos vários tormentos. E o que torna difícil de tocá-los e curá-los é que na maioria das vezes nem sabemos por que nascem, atormentam e fenecem, assim, de repente.
Angústias e anseios que rebentam e, automaticamente, buscam desenfreadamente uma válvula de escape, uma forma de desafogar. Mesmo que seja comer desesperadamente, dançar na solidão da casa enlouquecidamente ou gritar freneticamente. É imprescindível cuspir, exorcizar, e não amordaçar. E, como se não tivesse acontecido nada, o tormento foge, evapora, se apaga e, só de depor aqui, já nem lembro mais qual o tormento pesado que me fez sair do banho quente rapidamente para escrever. Pronto, era isso. Tormento acabou de bater a porta daqui de casa e ir embora. Vou secar os cabelos...(...)...