Pode alguém se sentir ambíguo? Pois estou me sentindo assim. Bom, a faculdade enfim acabou e por mais que eu acredite que este foi o período mais intenso da minha vida e que não existe gratificação mais reconfortante que sair do meio acadêmico, eu estou inquieta. Inquieta porque existe um monstro chamado: voltar para casa e aquela pontinha de incerteza que vezes faz bem, vezes faz mal. Parece que esta etapa da vida é como um buraco negro no espaço, é um lugar transitório, um lugar nenhum. Já falei várias vezes aqui que 'Fredephalen Westerico' deixará doces lembranças, daquelas que a gente senta desajeitado no sofá num dia de chuva e recorda de todas as coisas marcantes e que formaram a pessoa que somos. Sinto falta das pessoas frederiquenses e fico imaginando como vai ser difícil acostumar-se com essa nova realidade, onde Km e Km estarão nos separando. Mas, em contrapartida, a vida encaminha-se agora para o ápice da história, a independência verdadeira, o trabalho, como aquelas cenas de filmes onde o carinha anda solitário pela rua gelada, a caminho do trabalho, numa cidade completamente nova, cruzando com pessoas indiferentes. Quero muito que o desfecho disso tudo chegue logo, não sei se aguentarei ficar dentro deste buraco negro por muito tempo. Pois é fato, o mostro 'voltar para casa' assusta. Mas chega ser pacificador pensar que toda a rotina de estudante acabou, chega de provas, trabalhos, TCCs, noites em claro, muito café, crises de pressão alta em fins de semestre. Game Over. Agora a gente pula para a próxima fase do nosso jogo, completamente diferente, com novos prós e novos contras. A fase do emprego, da cidade nova, novas pessoas, um lar pra chamar de seu.
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Aconteceu de novo. Faz alguns dias, na verdade acho que foi na semana passada. Estava eu indo para a cidade, passando pela rua da árvore folhas de abóbora, quando duas perninhas finas e um cabelo cor de limão passaram pela minha frente. Não dei muita bola, afinal era apenas uma criança, uma menina de blusa rosa e azul. O sol estava forte, um raro momento de estiagem, não recordo ao certo o horário, mas fazia calor dentro das lãs. A guriazinha atravessou a rua, carregava uma cesta nas mãos se não me engano. Lá, do outro lado da rua, caminhava apressada uma senhora baixinha, quase corcunda, vestia roupas simples, por mais aquecido que estivesse o sol dava frio só de olhar para ela. Mas enfim, a senhorinha vinha de um lado da rua, eu ia do outro lado e a menina do cabelo cor de limão atravessava a rua. De repente escuto um 'oi' simpático e cativante, ele saiu da menina em direção a senhorinha, mas a velinha não o apanhou, o 'oi' ficou quicando na calçada. A menina ficou estarrecida, olhou para a senhorinha com espanto, ergueu os braços em protesto, e olhou para mim...Foi nesse momento que me dei em conta de que a menina de cabelos cor de limão e blusa rosa e azul já havia cruzado a minha vida antes. Eu sorri, fiquei impressionada com a tristeza da guria por ter visto seu 'oi' se juntar ao pó da rua. Tentei acalmá-la, por isso sorri. Ela retribuiu e por mais louco que seja, acho que ela, assim como eu, percebeu que eu já havia cruzado na vida dela. Mesmo assim eu não tinha a certeza de que ela era aquela menina da blusa rosa e azul, então fiquei acompanhando seus passos, para ver em que casa ela iria entrar. A menina de cabelos cor de limão e blusa rosa e azul parou em frente à casa de dois andares, a mesma que há alguns dias havia timidez na janela, gritou, e em seguida uma voz surgiu dizendo que o portão estava aberto...(...)...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Nossa Senhora Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca-Tese. Proteja-me de: queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no Word que não sobe com o ‘del’; fotocopiadora quebrada. Dá-me:
encontros com o orientador no corredor da universidade e livro emprestado com data de devolução para 2050.
Ah, Senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas ídem. Ajuda-me a lembrar os nomes dos autores e da pronúncia deles, assim como do modo como se faz a notação de revistas.
Nossa Senhora, livrai-me de pensamentos acerca de minha tese durante o meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos, impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso
descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante do meu PC, e que eu não me torne um zumbi.
Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me ajudar a enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, mesmo me dando os apertos que achar necessários, ao final assine a
poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.
Eu sei que a Senhora vai me dar uma luz bem forte e lançar, como num passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão. Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e me sinto na obrigação de terminar, dá-me força e sabedoria pra não esganar um!
AMÉM!
encontros com o orientador no corredor da universidade e livro emprestado com data de devolução para 2050.
Ah, Senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas ídem. Ajuda-me a lembrar os nomes dos autores e da pronúncia deles, assim como do modo como se faz a notação de revistas.
Nossa Senhora, livrai-me de pensamentos acerca de minha tese durante o meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos, impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso
descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante do meu PC, e que eu não me torne um zumbi.
Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me ajudar a enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, mesmo me dando os apertos que achar necessários, ao final assine a
poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.
Eu sei que a Senhora vai me dar uma luz bem forte e lançar, como num passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão. Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e me sinto na obrigação de terminar, dá-me força e sabedoria pra não esganar um!
AMÉM!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Uma chance de ser piegas
O inverno chegou definitivamente no meu pago e como tenho imensa adoração por essa época do ano, não posso deixar de comentar aqui. Definitivamente eu não sei explicar que tipo de sensação eu sinto quando caminho sozinha pela rua, com o vento batendo vadio no meu rosto. Talvez eu seja sentimental demais e convido a seguir-me quem também se sente nostálgico com o inverno e todos os detalhes e pieguices que ele abarca. No inverno me atenho mais as minúcias e enxergo poesia em cada coisa que vejo. Não existe descrição para a euforia que tenho quando saio de casa e sinto o cheiro forte da lenha virando cinza no fogão do vizinho. Me sinto tão livre quando o frio escorrega na pele seca do meu rosto e é tão estranho sentir-se livre, pois na verdade, somos livres, mas nessa hora é diferente. Diferente como? Não sei explicar. Porque a cor das folhas laranjas da árvore são tão lindas? Porque tenho vontade de plantar uma árvore destas no meio de casa, no meu jardim de inverno? Minhas manhãs seriam mais amistosas, se ao acordar eu admirasse as nuances das folhas queimadas! E tem mais: coisas banais, diárias, cotidianas, todas elas parecem cenas de um filme antigo. É, eu me sinto dentro de um filme as vezes durante o inverno. Hoje, indo para casa, com as mãos cansadas de carregar as sacolas, logo depois de passar pela árvore com folhas cor de abóbora, avistei uma menininha loira, timidamente apoiada no beiral da janela do andar de cima, se não me engano vestia uma blusa cor de rosa e azul. De repente percebi que ela tinha nas mãos uma flauta doce, cor de mafim. Apesar do esforço, a menininha entoava notas tortas, descompassadas, faltava-lhe o fôlego, eu acho. Não me contive e não tirei os olhos da janela, intimidando-a, ela percebeu e recuou, escondeu-se do meu olhar de inverno. Mais alguns passos a frente, a menininha da blusa rosa e azul da janela do segundo andar tentou espiar com o canto do olho, com certeza para verificar se meus olhos ainda a perseguiam. Eu já estava longe, precisava voltar a olhar para o chão, ou se não acabaria tropeçando e meu saco de bergamotas acabaria espalhado pela rua toda. Mas depois de uma esquina, sentindo o sol baixar devagarinho no horinzonte, eu ainda ouvia o som da tímida flauta.. Acaso estas experiências fossem vividas pela Adélia Prado, por exemplo, tornariam-se poemas de uma antologia famosa, e eu as leria com prazer...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Essa vida sonora...
Sabe de uma coisa, concordo com a catequista que dizia que quem canta reza duas vezes. Mas minha convicção transcende as canções da igreja. Música eleva, pacifica, acalma. Amigas + um violão + acreditar que se canta bem = bastar-se. Você já viveu um momento tão intenso, onde você fecha os olhos e pensa: "eu não preciso de mais nada pra ser feliz, 'isso' já basta"? Ontem vivi um desses momentos. Cantar alto, desabafar, descarregar. Mágico. Música pra mim é comunhão. Uma simples canção nos deixa saudosistas, nos faz faxinar a casa toda com gosto, faz o banho no inverno não parecer tão cruel, faz o humor agitar-se dentro da gente. Ouvir, cantar, acompanhar no 'nanana', grudada no seu cérebro, preparando o churrasco de domingo, na festa, na hora certa, na errada; música pra mim é sempre uma oração. Cada momento da vida tem a sua canção especial, tem aquela que lembra do beijo, aquela que lembra a infância, a que faz soluçar, a que marcará a faculdade, a da formatura, a do casamento, a que você cantará para seus filhos...(...)...
"dizem que sou louco por cantar assim."
ps: Agora o twitter já não está tão emocionante, o Bonner parou de twitar. #snif
"dizem que sou louco por cantar assim."
ps: Agora o twitter já não está tão emocionante, o Bonner parou de twitar. #snif
terça-feira, 27 de abril de 2010
'Olha, está chovendo na roseira'. Bela canção. Quem diria, chegou o dia fatídico de produzir a chave mágica do emprego, hehe: curriculum vitae! Que assustador, definitivaente a responsabilidade apoiada em sua bengala imensa, cabelos brancos, cheiro de salsa e cebolinha nas mãos, acaba de bater na janela. A vida nova, diferente de tudo, chegou! Será fácil acostumar-se?...(...)...Ando me sentindo como uma mãe que abandou seu filho, ou como uma criança que larga a boneca de pano surrado no canto quando ganha no natal uma linda e perfeita Barbie. #drama! Pois é, rendi-me ao twitter e confesso que acabei esquecendo um pouco do blog, deixei ele de lado, mas sempre pensando se ele estaria sentido comigo, #besta. Uma vez que, lá no twitter acabo por desabafar em tempo real o que 'se pása?'. Prefiro o blog, é mais acolhedor, aquecido, e não tenho limitações com caracteres. Mas o twitter parece ter um alcance maior, mais pessoas lêem o que escrevo, eu acho. Talvez por ser uma frase apenas seja mais fácil de ser visitado. O twitter é febre e sua janela fica aberta o tempo todo para espiar as atualizações, o que dificilmente acontece com o blog. Mas o twitter tem algo que achei fantástico: esta proximidade com pessoas que a muito pareciam tão distantes. Pode até ser bobo, mas fico extasiada quando o Bonner posta, contando sobre o JN, achei o máximo mesmo, é quase um workshop...(...)...Mas a vida anda, a fila anda e vamos correr atrás das estatísticas do tio Lula. Não quero ser mais uma desempregada!...(...)...E a pergunta que não quer calar e o pessoal do bairro quer saber: 'O que o corvo e a escrivaninha tem em comum?'(Alice in the wonderland) - continua no próximo capítulo.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Dia trivial, normal. Tentei acordar cedo, abri os olhos com vontade de não tê-los aberto. Eram 13:05H. Me levantei, fritei um bife com cebola. Desci pra cidade, pagar as contas, fazer a vacina da gripe A. Na fila do banco dois caras atrás, conversando sem parar sobre as notícias que não param de sair na tv, sobre religiosidade, sobre o tão famigerado assunto da administração pública, serviços públicos X privados. Depois a vacina. A pontinha da agulha crava, sinto calor, olho pra cima e percebo o ventilador, não o tinha visto quando entrei na salinha; parecia que suas pás iam lentas, abafadas. A janela não ventilava. Um pouco de pseudo-inconsciência. Acabou, algodão, micropore. Coca zero pra subir o morro, como se mudasse alguma coisa. Segundo capítulo da novela nova. O espirro do cachorro da vizinha. Insônia. Mr. Pi...(...)...
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