quarta-feira, 27 de março de 2013

Aqui jaz

Faz muito, muito tempo que não escrevo por aqui. Na verdade acho que a febre do facebook andou afastando a maioria dos blogueiros que sigo, exceto a amiga Natasha e o Carpinejar, que estão sempre nos atualizando com suas postagens. Até do twitter ando muito afastada. Mas enfim, se estou aqui escrevendo é porque algo me fez parar tudo o que tinha para fazer e dividir minhas vivências aqui...
Se o ser humano pudesse aprender 10% da lealdade e companheirismo que um cão é capaz de ter, o mundo não estaria tão perdido. Hoje faz um dia que Gerson, o Generoso - o labrador mais doce e lindo do mundo - morreu de uma forma repentina e cruel. É uma sensação tão difícil de mensurar, essa de nos darmos conta do quão somos impotentes, incapazes. Não consigo acreditar que ele não vai mais pular em mim, me sujando, arranhando e lambendo. Não aceito o fato de ter visto ele sentindo tanta dor e de ter o enterrado. É tão sureal isso.
Alguns podem até achar que é exagero sentir tanto pela perda de um cachorro. Mas, aí entra a questão de que o homem não possui nem 10% da lealdade e companheirismo que cães como o Gerson tinham. E tem mais, é assustador perceber que seu irmão - Belchior, o Bravo - permanece absorto em pensamentos, com olhares vagos, sentado no pátio, ao notar a ausência do chefe da matilha.
É, existem muitos seres humanos por aí que deveriam aprender com Gerson e Belchior. Aprender sobre ser leal, fiel, verdadeiro, honesto, e blá, blá, blá. A cada tombo da vida uma parte de mim também morre, como o Gerson. Morre se sentindo impotente, inerte, sem esperanças...(...)...

Vida De Cachorro
Os Mutantes

'Vamos embora companheiro, vamos
Eles estão por fora do que eu sinto por você
Me dê sua pata peluda, vamos passear
Sentindo o cheiro da rua
Me lamba o rosto, meu querido, lamba
E diga que também você me ama
Eu quero ver seu rabo abanando
Vamos ficar sem coleira
Vamos ter cinco lindos cachorrinhos
Até que a morte nos separe, meu amor!'

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ele quer ser punk

Enquanto meus coturnos fazem barulho nas pedras da rua Oswaldo Aranha, no Bonfin, vou caminhando e percebendo detalhes dos anos 80, conhecidos como a década perdida, devido as crises econômicas vividas na decadência da ditadura. Estou na esquina de uma rua cercada por bares de diversos públicos e me encontro também no início da década de 80, período marcado pelo fim da repressão e princípio de vários movimentos de rebeldia, entre eles a cultura punk.

Meu cabelo moicano, roupa rasgada repleta de correntes e joaninhas, para muitos representam meu lado mau. Mas a diferença é que não somos maus, apenas queremos que os outros nos vejam como maus. Algumas quadras a diante encontro adolescentes na frente do bar Ocidente bebendo leite com suco de limão. O objetivo disso é provocar o vômito. Outra coisa que adoramos fazer é queimar jornais e ficar olhando o fogo crepitar em uma mancha cuspida de vermelho vivo. Assim vive um punk.

Este nosso estilo de vida nasceu de três vertentes, vindas de três países diferentes. Surgiu por meados de 1975 como uma manifestação cultural juvenil. Nos EUA o punk é caracterizado pelo niilismo, sem envolvimento ideológico e partidário, com muitos aspectos da própria cultura americana. Na Alemanha o punk é de extrema direita e na Inglaterra marcado pelo anarquismo esquerdista. Mas existem todos os tipos de punks misturados em todos os lugares.

Ao longe ouço um som de poucos acordes, rasgando as esquinas, que vem da rua Tomaz Flores. Esse som vem diretamente da “fortaleza” dos Replicantes, ou simplesmente bunker como José Antônio Meira da Rocha prefere chamar. Meira, que diz ter um estilo diferente dos demais punks, usando roupas do tipo militar, é professor do curso de jornalismo do Cesnors e na sua juventude viveu e conviveu com essa cultura punk. “Minha irmã começou a andar com uns punks e eu comecei também”, disse. Bunker é o prédio onde Os Replicantes, famosa banda punk de Porto Alegre, ensaiam, moram e tem a produtora de vídeo Vortex. Misturado ao som dos Replicantes ouço também um som Krishna, quem vem embalando meus pensamentos, me levando pra longe daqui. Pois ao lado do bunker existe um templo de Hare Krishna e pelas ruas essas duas melodias vão valsando aos ouvidos dos mais atentos.

Segundo Meira, Os Replicantes injetaram um pouco de profissionalismo no pessoal dessa época. Pois o comum do punk rock são pessoas que não sabem tocar nenhum instrumento, mas os compram mesmo assim, formando a banda. Meira conta uma história, segundo ele antológica, de quando Eron Heinz comprou seu baixo, ele nem sabia que tinha quatro cordas. Meira conhece muito de perto toda essa galera. A irmã dele chegou a namorar o Cláudio Heinz, guitarra. “O Eron, baixo, foi o primeiro que me ensinou informática; a primeira vez que comprei um computador tive lições com ele”, falou.

Alguns passos e me esbarro em outro punk. Fones de ouvidos, no velho walkman toca um De Falla. Lembro-me da capa do LP deles produzida por Meira. “Uma capa tridimensional; até hoje tem gente vesga tentando enxergar a capa em 3 dimensões” (risos), relembrou.

Enquanto pessoas jogam-se das janelas do Ocidente por diversão, decido seguir meu caminho e chego à metade dos anos 80, mais precisamente em 1985. Fico sabendo de um festival de rock que irá acontecer no Colégio La Salle Santo Antônio. Rock Tonho é o nome. O organizador do evento: Luciano Miranda, 15 anos. Garoto muito envolvido na cultura punk, relacionado mais com o lado político e ideológico do movimento. “O rock é só um resultado da cultura, talvez um dos resultados mais secundários, porque existe um aspecto muito maior”, comenta Miranda. Luciano Miranda é hoje professor de Jornalismo do Cesnors e naquela época utilizava os meios de comunicação para expor as suas opiniões a respeito do sistema.

Em uma esquina da Oswaldo Aranha avisto páginas de um jornal que o vento acertou em cheio num vôo rasante. O Sombra é o nome. Jornal produzido por Miranda como forma de manifestar a negação aos sistemas tradicionais de representação. Enquanto o Brasil vive um período de redemocratização, para a juventude da época o sistema não representava alternativa alguma para uma transição democrática. Isso caracterizou o punk da metade dos anos 80, jovens politizados e anarquistas.

Ao longe ouço um som estranho, vários pares de sapatos fazendo tamborilar o chão em uma marcha compassada. Com um susto avisto duas massas de pessoas, uma em direção à outra. De um lado punks anarquistas, de outro, metaleiros de direita. A batalha campal estava começando. Socos, facas, gritos. “Quando aconteciam essas batalhas, existia sim a simples aversão de grupo, mas tinha a coisa ideológica também”, lembrou Miranda.

Miranda gosta muito da música punk rock, mas da boa música, como fala ele. “O que me seduz nas músicas é a atitude política, anarquista, que se percebe nas letras”, comentou. Mas a moda, o verniz do punk, segundo Miranda são características de fachada. Ele conta a história da mulher de Malcom McLaren, produtor da banda precursora do punk rock no mundo Sex Pistols, que ao perceber uma grande forma de ganhar dinheiro com a cultura eloqüente que surgia, criou a fashion punk. Um visual punk a ser explorado. “Tem que ver o que é genuinamente punk e o que é criado”, critica.

Os bares vão fechando, eu andando mais uns passos e os anos 80 acabando. As gerações vão crescendo, os anos 90 batendo a porta, novas bandas surgindo, como a The Mullets, com Luis Fernando Rabello Borges na guitarra base. Luís veio de Canoas para estudar, e também passou a freqüentar a Oswaldo Aranha.

A rua que caminho já não é mais a mesma, os bares onde os punks se encontravam na maioria não existem mais. Não se lê mais O Sombra e nem se vê punk bebendo leite com limão. Mas às vezes, se fecho meus olhos bem apertados, consigo ouvir Wadner Wildner entoando “Sábado todo, eu chorei de mágoa; Minha garota foi pra Manágua“.

Luis é também professor de Jornalismo do Cesnors, mas é mais conhecido como Coxa. Na Oswaldo Aranha de Coxa ainda existem shows de bandas punks. “Bandas amadoras, que não chegaram a lançar disco, banda de garagem, mais pra fazer barulho no fim de semana” lembrou.

Coxa partiu para a área acadêmica, porque segundo ele, a vida ia complicada, pelas arruaças e brigas. “Comecei a estudar para me distrair dessa anarquia, me civilizar”, fala.

A palavra liberdade na época não era facilmente entendida pelos punks. Se vivia uma rebeldia adolescente. A cultura punk fez sucesso porque veio ao encontro do jovem reprimido, que se vestia de preto. “Hoje em dia o cara deprimido vira ‘emo’”(risos), comenta Meira.

Atualmente a rebeldia já não é tão comum. As pessoas quando querem se mobilizar usam a Internet, pois esse canal de comunicação é barato e de fácil acesso de todos. Movimentos de ruas já não são tão necessários. “Antigamente se lutava contra o sistema e dentro do sistema. Agora se pode usar as ferramentas do sistema para fazer o seu próprio sistema”, argumenta Meira. Rebeldia é muito romântica, mas não leva a lugar nenhum.

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Enquanto a Carminha ainda não descobre que a Nina é a Rita, minha vida de retirante em busca de paz segue veloz feito um tordilho negro solto na estrada de terra. É impressionante como as horas passam apressadas quando o rigor e o compromisso de um trabalho já não se fazem mais presentes na rotina. Para ocupar o tempo ocioso e ajudar o mundo a ser um lugar um pouquinho melhor passei a fazer parte de uma ONG que cuida de animais abandonados. Confesso que não dou a vida pelos bichinhos, mas admito que se todas as pessoas se engajassem em qualquer causa que faz o bem seja a quem for, as coisas tomariam outros rumos. Palmeira das Missões nunca foi um lugarejo de pessoas organizadas, politizadas e dispostas a prestar serviços voluntários para melhorar o local onde vivem. Mas, percebo que agora grupos como esse que participo começam a criar corpo e responsabilidade, além das iniciativas solitárias que não chegam ao conhecimento da grande mídia.
Ainda com um pensamento do tempo dos coronéis incrustado, a cidade caminha a passos de formiga e sem vontade rumo ao desenvolvimento. Sempre fui destes adolescentes sonhadores que, angustiados, esperavam o momento de começar a faculdade e nunca mais voltar para a terra da erva mate, salvo as visitas à família. Porém, após alguns poucos anos vivendo fora, sinto que estava totalmente errada em querer sair o quanto antes daqui. Pois, é por pensamentos fugitivos como este que a vilinha da Palmeira se acostumou a ver ir embora toda a juventude, sagacidade, audácia, renovação e vitalidade daqueles que são os únicos aptos para mudar a realidade que nos encontramos. Aqui nada é como deveria ser. A saúde pública é um caos, não temos oportunidades de emprego, a cultura foi praticamente esquecida, e por aí se vai. Contudo, hoje me sinto responsável por isso, e de uma forma ou de outra quero tentar fazer a minha parte para que a cidade prospere...(...)...
Bom, prometo que voltarei em breve contar mais novidades, nos raros momentos que o frio não congelar os dedos.  

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje não é uma noite inspiradora. Não sei por que, mas tenho a cabeça meio vazia de ideias hoje. Congeladas pelo frio, talvez. Mas precisava escrever...(...)... Tem vezes que precisamos falar tanta coisa, porém, parece que as palavras não encontram a concordância exata. Senti isso ao me despedir dos meus colegas de trabalho. Havia tanto a ser dito, mas foi tão cortante o momento de ir embora, que deixei para trás vários sentimentos. Queria contar o quanto aprendi nestes quase dois anos em Carazinho. O quão importante esta experiência foi para a minha formação, pois me formei jornalista ali, e não na faculdade. Queria contar o quanto aprendi sobre a vida, sobre seres humanos, sobre limitações físicas, emocionais, intelectuais. Fui até o meu limite, fui até o momento em que eu sabia que estava acrescentando. Conheci pessoas, milhares de histórias, e contei a minha história também. Escrevi meus versos nessas ruas, joguei-os ao vento, sem a pretensão de que alguém fosse se identificar com eles. Sentirei muita falta de tudo o que construí, amizades, descobertas, reportagens, idas ao interior – a melhor parte – até da solidão. Mas preencherei estes espaços com outras coisas a partir de agora. Quero ter o direito de não saber o que fazer da vida, pelo menos por enquanto. Quero sair por aí, correndo, sentindo o vento no rosto. Quero assistir TV com outras pessoas – nossa como isso faz falta. Assistir TV e rir sozinha dos seriados é a crônica da tristeza. Quero realizar sonhos, tirar fotos, ler. E agora eu tenho tempo pra isso.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prazo de validade

Rodeada diariamente por tantas notícias, palavras e informações por vezes banais, chega a ser quase impossível chegar em casa de um dia massante de trabalho e me dedicar a escrever aquilo que eu realmente penso e quero para preencher a folha em branco. Os planos para esta noite eram manter-me na posição horizontal, aproveitando um breve momento sem trabalho extra para fazer ou uma pia cheia de louças para lavar, contentando meus neurônios com qualquer coisa idiota na TV. Mas, me irritei com essa novela das 9, dei um duplo twist carpado da cama, liguei uma música e resolvi despertar para a vida. Desisti também do meu sagrado repouso pela insistência dos condôminos da Vila do Chaves que felizes e didavosos gargalhavam no pátio. Vila esta que em breve perderá eu e meu barril.
Assim como tudo na vida, a minha permanência na Vila do Chaves chegou ao seu prazo de validade. Na verdade, todas as pessoas têm um prazo de validade em nossas vidas, se você observar bem, tem um cantinho entre a segunda covinha do sorriso e a primeira ruga no canto do olho que está escrito até quando. Pode parecer frio e egoísta pensar que nada pode ser eterno. Porém, esta é a vida, e da mesma forma que as pessoas chegam elas vão embora. E não sejamos hipócritas, quando alguém já não nos acrescenta em nada é comum perdermos o contato, deixarmos mais de canto. Como também, às vezes, perdemos contato com alguém que ainda tinha muito para contribuir com a nossa formação.
Digo tudo isto não por acaso, mas porque novamente um ciclo se encerra e outro se abre para mim. Percebi que já é comum escrever no blog sobre as minhas mudanças. Nunca vou esquecer do meu primeiro dia chuvoso carazinhense. E pelo que as previsões demonstram, meu último dia chuvoso carazinhense talvez não chegue a tempo. Bem que podia, para lavar de mim tudo aquilo que não quero carregar na mudança. Sim, partirei. E não vim aqui para pensar no que será de mim amanhã. Que se lasque o amanhã, já sonhei demais. 

terça-feira, 13 de março de 2012

A caçadora de pipas

Segunda-feira. Uma noite quente de um verão que anuncia seu final. Procuro dentro de casa pequenos detalhes para me ater, me ocupar. Olho pra minha estante cheia de livros, mil folhas amareladas que contam histórias de amizade eterna, amor incondicional, aventuras, guerras, vidas. Escolho alguns, apenas para passar os olhos, folhear, esperando as horas passarem até o sono chegar. Abro um, em especial, e vejo que nas ultimas páginas esqueci uma rosa, que hoje está apodrecida, fazendo as folhas mancharem. Rosa de uma época passada, de um passado distante. Viro o livro, analiso sua capa, a primeira folha, uma dedicatória apaixonada, uma data. Há aproximadamente cinco anos ganhei este livro, que conta uma história incrível de amizade, caráter, amor. Procuro frases, trechos, e encontro este, emocionante, escrito na última página.

‘- Por você, faria isso mil vezes! – me ouvi dizendo.
Virei, então, e saí correndo.
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça voo.
Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia.
Saí correndo. Um adulto correndo em meio a um enxame de crianças que gritavam. Mas nem me importei. Saí correndo, com o vento batendo no rosto e um sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios.
Saí correndo.’

Que ironia. Agora, toca no rádio uma canção antiga, que antes não fazia sentido algum, mas agora consegue dizer tudo... ‘Vai ter medo de que um dia ela vá mudar...’
Pra finalizar, ando meio sem inspiração, mas como me disse uma pessoa esses dias, nossas perspectivas somos nós mesmos que criamos. Vou tentar mudar, apensar de que, desde que eu tinha uns 15 anos, sei que a essência sempre vai permanecer. Vou assim, rasgando as páginas dos meus livros favoritos, dobrando-as em barquinhos, que me levem a algum lugar bacana... Vou sair correndo, como Amir, me agarrar no sorriso minúsculo, que mesmo que não represente nada, é apenas o primeiro, de vários flocos que derreterão quando a primavera chegar. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Filtro Solar

Se eu pudesse dar uma dica sobre o futuro seria: pense mais em você mesmo. Os benefícios a longo prazo da autocrítica são provados pela ciência. Já o resto dos meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Aproveite bem o máximo do tempo na companhia de outras pessoas, as faça sorrir, divida com elas o melhor pedaço de si. Ame com toda a força do mundo. Ou então, esquece... Você nunca vai entender mesmo que a vida é soma e não divisão até o dia em que se der conta de que todos foram embora no fim da festa e sobrou apenas você de sapatos na mão.
Tenha um cachorro. Ele é o ser mais fiel que você vai ter do seu lado. Coloque os pés na terra de vez em quando. Um dia vai sentir que está dando choque e precisa descarregar. Mantenha contato com a natureza. Não se preocupe com o que os outros vão pensar. Ou então, preocupe-se, mas saiba que assim muitas experiências bacanas serão deixadas para trás.
Beba.
Nunca se arrependa. Seja fã de uma banda de rock antes que eles morram e fiquem apenas nos seus LPs. Vá a um show deles e volte para casa sem voz, de preferência. Veja seu time ser campeão do mundo na casa do inimigo, não há euforia maior.
Grite.
Faça uma caridade. E não precisa ser uma doação material, pois abraçar alguém que se sente sozinho também é caridade. Tenha personalidade. E não precisa ser excêntrico, basta não ter vergonha de ser quem você é, independente de qualquer coisa.
Exercite-se.
Antes do que se espera você vai perceber que se enquadra em vários grupos de risco. Permita seu sangue circular.
Talvez você encontre o amor da sua vida no primeiro beijo, talvez não.
Talvez todas as suas certezas se tornem ruínas, talvez não.
Talvez você descubra o segredo da felicidade, se tiver sorte, talvez não.
Talvez você escolha uma profissão que lhe dê prazer, talvez não.
Perdoe.
Acredite sempre nas mudanças, e saiba que a capacidade de sonhar foi criada para que você use e abuse de sua criatividade. Não tema. Também não tenha pressa. É fundamental aproveitar o dia, sorvendo cada segundo que faz o ponteiro se mover. Nunca nos sentiremos satisfeitos com o que temos agora, mas tente, se esforce para agradecer por ESTE momento da sua vida. Às vezes passamos a existência toda sonhando com o amanhã, mas quando ele chega, ignoramo-lo, pois continuamos pensando no futuro. Aprenda a olhar para os dois lados quando atravessar no tempo.
Viaje
Conheça lugares, pessoas e sabores novos. Mas jamais, jamais esqueça daqueles poucos e bons. É para eles que você vai correr quando se sentir solitário.
More uma vez em Frederico Westphalen, mas vá embora antes de amolecer.
More uma vez em Carazinho, mas se mande antes de endurecer.
Tenha um hobby. Se distraia, pois quando chegar aos quarenta terá aparência de oitenta e cinco. Aceite que o preço do Kinder Ovo subiu, que os jovens estão desvirtuados e os desenhos animados sem graça. Aceite também que você envelheceu e pode fantasiar que, quando você era jovem, o Kinder Ovo custava R$ 1,00, os jovens mostravam a cara nas ruas lutando por seus ideais e que a Caverna do Dragão era o melhor desenho do mundo.
Mas, no filtro solar, acredite!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Hoje acordei cansada, com um rosto sem expressão, sem inspiração, sem vontade de trabalhar. O barulho do teclado confunde minha cabeça e o calor da redação me faz ficar sem ar. Às vezes tenho vontades de uma vida nova, deixando tudo para trás, noutras, gostaria de tentar de novo, aquilo que falhou. Queria que um porre bem forte curasse a dor. Queria o exílio pra mim e pra você. Tipo Caetano e Gil. Escrevendo canções proibidas. Queria um banho de chuva, pra tirar a roupa molhada depois. E um fim de domingo com bolo, faustão e um sono pesado. Mas não tenho, e é a vida, o resto é história. Sigo sentada no jardim inglês, pois já me transformei em pó e você não está tão perto que eu possa tocar. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O que desejo para você...

Eu sei que já passou a data, mas tava sem tempo de passar a limpo este texto que escrevi a próprio punho esses dias. Mas agora vai: Dizem por aí que é Natal, e por isso venho aqui mostrar o que desejo para as pessoas que amo, prezo e gosto: Somente felicidade. Vida sem felicidade não tem cor, não tem brilho e nem sabor agridoce. É possível ser pobre e feliz, doente e feliz, confuso e feliz. Mas, sozinho e feliz - não!
Não venham me dizer que é preciso encontrar a felicidade em nós mesmos, é tudo mentira. Acho que já escrevi algo assim aqui no blog. Mas, hoje, tenho a plena convicção de que não se pode ser feliz sozinho. Não desejarei que você ganhe na Mega da Virada, nem que você nunca precise de remédios, nem que tenha tamanha paz que consiga pensar o tempo todo em apenas uma folha de ofício em branco. Isso é utópico demais.
Quero apenas que vocês sejam felizes, e para tanto não se faz necessário nenhuma destas coisas que citei logo acima. Já fui feliz um dia e vou explicar como é: Como eu disse, é impossível ser feliz sozinho. É preciso ter alguém que te faça dar risadas, acordando a casa toda. É necessário ter a companhia de um sujeito que eleve a sua auto-estima, que não se importe em mentir para te animar um pouquinho. É fundamental ter uma pessoa que lhe sirva de porto seguro, pois um dia você vai precisar de um colo e de ouvidos ou, simplesmente, de olhos. É imprescindível saber que, no peito desta pessoa há uma 'partileira' só para o seu nome repousar.
Você já conheceu alguém assim? Seja sincero. Um irmão, amor, pai, amigo, mãe? Eu já e me sentia plena, completa, fechava os olhos e dizia que podia morrer neste segundo, pois morreria feliz. Então, desejo tudo isso para você. Nada além. É o que eu posso fazer nesta data, nesta época, pensar em algo que realmente valha a pena desejar, de coração aberto. Você vai entender o dia que sentir...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fazia calor, e ele sorria

Sábado, como há muito tempo não fazia, coloquei meus óculos grossos, sentei no sofá, e abri o jornal. Eis que entre matérias como o alto custo da produção agrícola no país e a iminência de uma crise econômica mundial, encontro um texto do jornalista David Coimbra. Aposto que não foi por acaso que meus olhos passaram pelo texto e se interessaram em lê-lo. Segue abaixo a crônica:

Fazia calor, e ele sorria


Era uma dessas tardes de canícula que faziam pensar sobre os milênios que o ser humano atravessou sem ar-condicionado. Como conseguimos? Como chegamos até aqui?
Havia deixado o carro num estacionamento, já ia alcançando a calçada, quando o vi. Estava dentro da guarita da portaria, uma dessas casinholas onde mal cabe uma pessoa. Era um homem de pele negra luzidia, de certa idade, imaginei que tivesse filhos e netos. Suava às catadupas dentro do uniforme. Só de vê-lo fiquei com calor. Estiquei o pescoço e brinquei, meio em solidariedade, meio para lhe aliviar o sofrimento:
– Vida dura...
Ele abriu um sorriso.
– Nem tanto – respondeu com animação surpreendente para aquele dia pastoso. – Pior seria se não tivesse trabalho. Além disso, economizo com sauna!
E atirou de dentro do seu esconderijo uma risada de satisfação com a própria piada.
Despedi-me dele sentindo-me bem. Ali estava um homem que sabia viver. Fosse outro, passaria se queixando do emprego inferior à sua dignidade, do salário inferior ao seu merecimento, do chefe que o colocara ali por perseguição, do governo que não o amparava por incompetência.
Na verdade, pouco interessa a condição em que alguém se encontra. Se o ambiente é desta ou daquela forma. É difícil encontrar duas pessoas que, estando na mesma situação, vivam no mesmo mundo. O interior é que vai fazer com que o exterior seja positivo ou negativo.
Você pode constatar isso todos os dias. Em tudo e em todos há coisas boas e ruins. Você é quem escolhe o que vai pegar para você. E a sua escolha depende do que você é. Pessoas boas enxergam o lado bom das outras pessoas e alegram-se com isso e tornam a convivência leve. Mas há quem só veja os defeitos dos outros e assim os defeitos se aprofundam, tornam-se mais graves e mais feios, e a convivência fica pedregosa. Ou seja: a responsabilidade não é de quem é julgado, é de quem julga. As coisas não são bonitas à sua volta? Olhe para dentro. Talvez lá é que elas sejam feias.

Como o brasileiro vê o Brasil e os governantes do Brasil?
Parece que houve gente enriquecendo com as privatizações do governo tucano, leio isso na Carta Capital. Parece que nunca houve tanta corrupção como a que grassa no governo petista, leio isso na Veja. A impressão é de que o Brasil afunda num mar de lama, para repetir a expressão de Vargas.
Mas não é bem assim. O Brasil melhorou de Itamar Franco para cá. São 18 anos de estabilidade econômica e política, o que resta provado até pela quantidade e pela profundidade das denúncias de corrupção, que antes havia, mas não aparecia.
Então, por que o brasileiro não se comporta mais como aquele homem cordial e fagueiro de tempos muito piores, como, por exemplo, os tempos do mar de lama de Vargas? Por que o brasileiro não percebe que o Brasil evoluiu? Será que o brasileiro “piorou”? Ou será que há mais homens como o vigia do estacionamento, suando em silêncio, mas contentes com a vida?

* Texto publicado na Zero Hora, 16/12/2011

Me surpreendi com a leitura, eu que reclamo tanto da vida, das situações impostas, do calor, do frio, e o sujeito me diz que pior seria se não tivesse emprego. Creio que este seja o grande defeito da humanidade: reclamar. Reclama-se no twitter, reclama-se no facebook. Nunca fui uma pessoa otimista, desde a escola, sempre esperava o pior resultado nas provas, pois se fosse mal realmente, não me surpreenderia. E assim é com as coisas da vida. Senti como se tomasse um murro no meio da cara, como se David Coimbra estivesse escrevendo para mim e dizendo: Acorda Priscila, você não vai sair para brincar? Venha brindar um novo dia. O sol nasceu, o céu está azul. É tudo lindo como você. Pois é, não quero dizer que acordei achando tudo perfeito, mas, após este texto, garanto que estou refletindo melhor sobre meus próprios conceitos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Irônico

Um homem velho fez 98 anos
Ganhou na loteria e morreu no dia seguinte
É uma mosca preta em seu Chardonnay
É o perdão no corredor da morte, dois minutos atrasado
Isso é irônico... não acha?

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isso acontece

Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está OK e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando errado e tudo explode na sua cara

Um engarrafamento de trânsito quando você já está atrasado
Um sinal de 'proibido fumar' no seu intervalo para o cigarro
É como dez mil colheres quando tudo o que você precisa é de uma faca
É encontrar o homem dos seus sonhos
E então encontrar a linda esposa dele
E isso é irônico... você não acha?
Um pouco irônico demais... eu acho...

A vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
A vida tem um jeito engraçado de te ajudar

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.

sábado, 6 de agosto de 2011

Um calmante, por favor!

Já faz um ano que ando pelas ruas carazinhenses abaixo de chuva. Lembro como se fosse hoje o dia que tive que enfrentar as ruas de pedras irregulares nos fins de noite, onde era só eu e o vento. Mas, prometi para mim mesma que não passaria de um ano, e eis que chegou a hora de mudar novamente. Para quem não entende, geminianos se cansam rápido demais de tudo. É muito penoso conviver com um de nós: as pessoas precisam nos surpreender a cada dia, pois se não, fechamos o livro, damos as costas e olhamos o horizonte. Me cansa olhar para estas paredes todos os dias, e não vejo nenhum balde de tinta vermelha para que eu possa pintá-las sem precisar trocar de lugar. Eu sei que sou difícil, mas sou exigente comigo, com a vida e com os outros. E chegou a hora de querer mais, de oferecer novos ângulos às retinas. Prometi para mim mesma durante a faculdade que quando saísse dali nunca mais faria alguma atividade que me deixasse tão apática e amuada como as vésperas de fins de semestres. Mas, a vida sorriu para mim, zombeteiramente. Não foi isso que quis, definitivamente. E sei que ninguém me entende. Para os outros estou em um momento cômodo, eles não conseguem ver que eu preciso de um calmante, urgente. Se o problema sou eu, vou descobrir assim que arrumar um novo emprego e novos ares e as coisas permanecerem exatamente iguais. Meu estado emocional pede socorro e fui capaz de encontrar auxílio em uma cartelinha prateada com vários pontinhos coloridos. Nem passar na carteira de motorista eu consigo. – Eu sei que você sabe dirigir, mas você ficou muito nervosa. Se não fosse por isso você passava. – Mas moço, eu não sei mais o que fazer! Eu preciso de paz. Preciso ter outras perspectivas para os meus dias além de chegar em casa e apenas morrer na cama, vendo a louça e as roupas sujas acumulando. Eu quero um hobby! Não como o da Carla Perez, mas algo que me faça existir: um time de bolita, aulas de gaita de boca, uma simples corrida no fim de tarde, fazer meus artesanatos, ler. Nossa, há meses Fernando Moraes permanece ao lado da minha cama sem receber uma atenção. O mais importante é ir em busca e nunca desistir daquilo que quero alcançar, pois não quero ser uma pessoa frustrada e chegar na velhice pensando na porção de coisas que não fiz por medo de arriscar: a minha viagem de trem, as milhares de fotos que quero tirar, os novos amigos que quero conquistar, o retorno aos braços de quem me acalma, as línguas que quero falar, os cachorros que quero ter, os livros que quero comprar, os discos que quero ouvir, as cervejas que quero beber, as aulas de historia que quero ter, a Rural que quero dirigir, o por do sol que quero assistir. E é por isso que hoje abro a temporada de caça, a melhores perspectivas, qualidade de vida e paz. Nem que eu comece reformando aquele balcão com jornais que há meses tenho vontade...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

No último mês perdi uma pessoa mitológica da minha infância. E não sei se foi eu que me acostumei com a morte, ou se ainda não consigo acreditar. Não sou uma pessoa de pouca fé. Não. Tenho minhas crenças e me agarro nelas. Não gosto de religiões. Porém, não sei o que pensar sobre a morte, não tenho certeza de nada, não possuo crenças a este respeito.
Há alguns anos senti a primeira perda doída, não que as outras não fossem, mas eram pessoas que pouco convivi e eu era apenas uma criança. Para mim aquilo foi o cair de um precipício, me vi sem saber o que pensar, na loucura de não entender o que acontece depois. Passei a temer muito este fim, e rezei para não morrer tão nova e para não sentir novamente a dor de uma despedida.
Quando fecho os olhos e penso na nona, lembro-me de muitas coisas. Primeiro era a viagem até Carazinho, que para mim, na insignificância de minhas curtas pernas, era como dar a volta ao mundo. Era chegar e ter o rosto esmagado por suas bochechas e mãos. Na despensa fechada pela cortina um balde de leite cheio de varinhas salgadas que só ela soube fazer. O relógio de corda que batia, as parreiras, o poço, a caçada às borboletas com sacos de batatas, a voz do castelinho de manhã cedo, a casinha de bonecas que ela me ajudou a fazer, o beliche.
A única certeza que tenho é que continuo sem saber no que acreditar; que o fim, se é que ele existe, permanece como um temor e incógnita.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quanta ironia

Na última semana fiz uma pessoa chorar enquanto eu tentava compreender o que é felicidade. Para que vocês entendam, nós comentávamos sobre uma pesquisa realizada aqui em Carazinho que apontou que 96% das pessoas entrevistadas se sentem muito felizes. Atualmente afirmo para mim que estou bastante infeliz. Para os outros estou tentando sempre assegurar o contrário, ou pelo menos abrandar este prognóstico, pois me disseram que eu tenho que ser feliz pelo simples fato de estar viva, de poder sentir o calor do sol, de saber que existem pessoas que gostam um monte de mim e se preocupam comigo, enfim.
Não estou de acordo com o que vivo. Mas, por vezes já refleti analisando que o que vivo hoje é grande parte do todo que um dia eu sonhei com toda a minha força, que fez parte das minhas orações. Ou seja, estar formada em algo que por mais estafante, preenche a pessoa que sou, ter um canto só meu, um fogão para me distrair, ninguém para disputar o controle remoto (até porque minha Tv não possui estas modernidades), uma independência financeira – a melhor parte. E nestas vezes chego a quase me contentar com a situação.
Mas era justamente isso que eu comentava com a pessoa citada acima. Ela surgiu no ambiente afirmando que mesmo que as pessoas não sejam extremamente felizes, elas, quando questionadas, sempre dizem que sim, afinal, possuem saúde, família, estas coisas. E me peguei pensando que se viessem me perguntar se sou feliz – é, responderia que sim.
Foi então que expliquei que, na minha opinião, não existe uma felicidade plena, completa, em sua totalidade. Não. Peço desculpas àqueles que um dia acreditaram nisso. Talvez ela deveria ser uma destas pessoas que creem na plenitude e por isso chorou. Falei que a vida é uma intensa busca pela felicidade. E não é? Vejo por mim, que tenho tudo o que um dia, na lonjura da minha adolescência, quis incessantemente. Mas que hoje deseja muito mais. E isso também não vai findar quando eu as conquistar. Até porque – e eu falei isso para ela – se um dia eu conquistar tudo o que desejei e perceber que não existe mais nada para ir em busca, para lutar, para chorar de desespero, aí a vida acaba por aí. Não há mais razão para seguir adiante. Foi neste momento que ela tapou o rosto com a mão, enrubescendo-se, baixou a cabeça e se foi, engolindo com dificuldade.
No entanto, esta conversa serviu para que eu convencesse a mim mesma de que se hoje me sinto assim, amanhã quando tiver nas mãos o que quero hoje, perdurarei sentindo esta falta aqui dentro. As pessoas mudam com o tempo, e o que agora é essencial, amanhã será apenas um detalhe, como a minha ânsia adolescente em rumar sozinha nas ruas, sem precisar anotar o sobrenome dos que me relaciono. Hoje isso é um detalhe, pois meus anseios são bem mais complexos. E, somente quero me sentir plena o dia que meus olhos cor de terra se fecharem para nunca mais. Mas, se eu descobrir que depois disto, realmente existe algo mais, então seguirei querendo sempre mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Abrindo o armário

Eu achei que ficaria um bom tempo sem escrever por aqui, até aprender a não lamuriar, até saber colorir as gravuras do meu dia-a-dia. Ando em uma análise frequente, tentando ansiosamente me encaixar em determinados estereótipos, que na verdade não foram feitos para eu vesti-los. Sou inconstante e, por vezes, incompreendida. Consigo perceber de longe meus erros, mas evitá-los já é tarefa para um mágico.
Mas, talvez nem valha a pena citar aqui que estou abrindo meu armário - colocando as roupas no sol do inverno, para que o cheiro de velho vá embora com o vento, sacudindo um pouco da poeira, provando que os monstros escondidos ali são apenas coisas da minha cabeça – pois eu sei que logo, logo, chove de novo, molhando fronhas com água salgada.
Mas, eu só quero contar que estou bem mais contida com minhas fraquezas, tentando provar o melhor pedaço do bolo. Se a vida lhe der limões, faça a limonada, não é isso que você quer? É um exercício minucioso, onde um tropeço pode lhe arrancar a unha do dedinho do pé. Se todo mundo consegue dar um sorriso para a vida, porque eu não? Olha que às vezes até eu me surpreendo. E me espanto ainda mais com minha oscilante montanha russa ou roleta russa, que me deixa a mercê da sorte. É, sou inconstante. E se hoje estou abrindo o armário, amanhã ou depois com uma rajada de vento minhas portas podem se fechar. Assim são as pessoas comuns, ora estão felizes, ora tristes. ‘Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro’.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

terça-feira, 31 de maio de 2011

Felicidade é só questão de ser

É incrível como diariamente assuntos visitam a minha mente para que eu os desseque. Hoje, enquanto tomava banho, comecei uma análise de mim mesma, e não há momento mais propício para isso como a semana que antecede o aniversário da gente: o fim e início de um ciclo. Atualmente, muito mais do que antigamente, passei a aprender a encontrar alegria em pequeníssimas coisas, como tomar banho ouvindo música. Loucura. Mas já falei aqui, em outro post, sobre o poder que as músicas têm de mudar nosso humor, da mais inebriante tristeza até a confortadora paz.
Se alguém me perguntar qual a melhor coisa do jornalismo, vou responder que somente ele me ensinou a dar valor e observar a beleza nas pequenas coisas. Pra começar, os olhos da gente se transformam em lentes, e cada olhar já procura uma moldura para pregar-se à parede. As cores fortes, as opacas, uma poça, a rua, um sorriso. Tudo se transforma em papel fotográfico. Cada rosto na rua nos desperta uma curiosidade infinda em descobrir qual história extraordinária estaria por trás daquelas rugas, daquele olhar caído. Vivências já se materializam na folha branca do caderno velho e viram crônica. O aroma do café sempre terá seu valor. Terminar o dia, a semana, o mês, o ano. O fim é sempre confortador. Entregar a matéria, o especial, encerrar a edição, acabar a transcrição. Um sábado de folga com sol, família, amores e cachorro. A maionese do domingo, ah a maionese!
Confesso que há dias venho levantando um dossiê sobre o que me traz felicidade definitivamente. E mesmo que por vezes me afundo na minha solidão e descontentamento com tantas coisas, por outras, pequenos detalhes me tocam profundamente e puxam pelos cabelos a responsável pela felicidade: eu mesma. Tem vezes que não percebo no momento, que a felicidade é um vento a soprar, desfolhando as árvores com folhas cor de abóbora. Mas, quando sinto que apenas tomar banho ouvindo música é capaz de me fazer respirar fundo, fechar os olhos e sentir uma paz, mesmo que seja do tamanho do dedo mingo da gente. Nossa! Tenho uma vontade de me esganar, por às vezes acreditar de não tive a 5ª Série forte o suficiente para encontrar alegria em mim mesma, sozinha.
E, completando o 22º ciclo de invernos, só posso fechar os olhos, assoprar as velinhas e pedir que eu possa continuar sendo capaz de me sensibilizar com as coisas simples, de me encontrar em mim mesma, de apreciar a minha companhia e de viver sempre em busca de uma plenitude que, no fundo, eu sei que não existe, mas que viver não teria nenhum sentido se a gente não acreditasse. Por mais que a gente perceba que nunca chegará lá, que o impossível é mais um antigo vício, e que a angústia perdure para sempre...

‘Deve haver alguma coisa que ainda te emocione’.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

‘Olha Lopes’

Desde a data fatídica de 2 de junho do longínquo 1988, me sentia um ser muito estranho, sempre distante dos padrões impostos pela sociedade, tanto de beleza quanto de comportamento: digamos que sempre fui um pouco antissocial. Porém, isso começou a mudar assim que minha vida se cruzou com o jornalismo, muito que por acaso. Sinceramente, nunca foi meu grande sonho de infância ser jornalista, até porque sempre fui muito tímida. E, digamos que caí de gaiato nesta história mais pelo empurrão de quem queria muito me elogiar e não sabia como, então falava que eu escrevia bem. Ha-ha. Só porque eu era criança e escrevia palavrinhas difíceis para as crianças da minha idade minha família achava que eu tinha potencial para ser repórter um dia. Na verdade atribuo isso a ninguém além de minhas duas avós, professoras, e que inseriram um vocabulário um pouquinho mais rebuscado que os demais, aos almoços e reuniões familiares.
E assim, jornalismo passou a ser um ‘sonho’. E eu deixava ele lá nos sonhos, pois era mesmo impossível de ser realizado. Até que o Cesnors entrou na minha vida, com esse nome estranho mudou tudo de lugar, inclusive eu. Uma universidade pública, a 70 Km de casa, e com o curso de Jornalismo. Fudeu! Virei Bixo! Em um dos primeiros dias de aula, uma professora inicia uma conversa, pedindo para que cada um falasse de onde vinha e qual o objetivo com o curso. Pensei rápido, pois eu só sabia de certeza da onde eu tinha vindo: ‘da terra do Carijo da Canção Gaúcha, Tche! Ah, e meu objetivo com o Jornalismo é ser um dia a garota do tempo’. ‘É, geralmente para ser a moça do tempo eles exigem uma aparência’, foi a resposta da querida professora. Olha, não quero refletir sobre o que ela quis dizer com isso.
Ok! Estava inserida no habitat dos jornaleiros. Mas, como eu estava falando, sempre me senti estranha, até entrar neste mundo. Hoje, escrevo para iniciar uma seção de análise imaginária, não para mim, e sim para as pessoas que me cercam, pois preciso entendê-las. É questão de honra! E hoje, caros leitores, descobri que sou completamente normal; que tenho sim os sentimentos à flor da pele, mas consigo controlar ao menos os ruins e malévolos, ou deixá-los soltos, mas na minha cabeça; que levo uma vidinha infame, acordando toda manhã e dormindo à noite. Talvez a vida de vocês seja assim também, normalzinha. Ou, talvez vocês digam: ‘nossa, não sou normal, tenho tantos problemas’. Mas, meus amigos, vocês não conhecem pessoas anormais...
Ainda na faculdade, encontrei pessoas que sabiam menos ainda o que estavam fazendo ali, ao menos deve ser o que passava na cabeça de alguém que, em uma prova de gramática pergunta ao professor se a palavra ‘mesmas’ existe. Garota, este não é o seu lugar! Tinha também os lunáticos, de olhos arregalados, que vigiavam as palavras de todo mundo, e se um riso largo viesse do fundo da sala, eles olhavam com olhos de repressão, como se estivéssemos gargalhando deles. Em seguida comecei a perceber o quão normal eu era. Tranquilinha, ali no meu canto, sem grandes erupções de personalidade.
Talvez eu esteja rotulando os jornalistas, por acreditar que foi mergulhada neste contexto que encontrei a anormalidade do ser humano. Ou talvez, até a faculdade, eu era pequena demais, assim como as pessoas que me rodeavam, para eclodir um lado B latente. Das duas, uma.
Pulando a faculdade, hoje, inserida no cruel habitat da vida Real, com letras maiúsculas, sou jornalista atuante, uma vez que ser jornalista formada não vale muita coisa. Nunca vivi tão tranquila comigo mesma, porque a convivência diária com pessoas muito estranhas me fez perceber que sou uma água com açúcar.
Convido vocês a serem meus analistas, então, eu os chamarei de Lopes, para imitar a Mercedes:
Olha Lopes, minha vida é corrida, mas a rima perfeita é: fudida. O que eu tenho? Não, nada, eu sou normal. Vim aqui, Lopes, porque preciso entender o que acontece com as pessoas que eu convivo. E porque eu preciso entendê-los? Pô, porque eles estão acabando com a minha vidinha normal. Afetam-me diretamente, irradiando tudo de mais pior que há neles para mim. Preciso de um guarda-chuva, Lopes, algo que me proteja de tudo isso. Até a próxima seção...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eu quero ver o oco

De tanto não saber, já não sei nem como iniciar este post. É tão mais fácil poder tocar nos sentimentos, saber o que os provocou, torcê-los como uma roupa molhada, espremendo, vendo-os ir pelo ralo. O problema é justamente não saber, não decifrar. Já diria Zé Ramalho ‘ninguém tem o mapa da alma da mulher’. Tem algo rolando aqui dentro, é uma bola de gude, daquelas verdes, que faz barulho quando bate no oco que sou eu. É um não saber tão angustiante que não se sabe onde se agarrar, qual bula terá a solução. Como estava falando, não estou triste, não mais como andava nos últimos dias, já não choro mais e já me alimento normalmente. Também não estou estressada, não me preocupo com nada mais, ou melhor, me preocupo com algumas coisas. Mas não permito mais que estas coisas prejudiquem a minha saúde. Sinto um vazio, como uma folha em branco, como a TV que saiu do ar, como um carro que não quer pegar. Pô! Não sei explicar. Uma angústia que vem de repente, sem motivo aparente. Um nada.

*texto escrito há alguns dias